terça-feira, 1 de junho de 2010

MILITARISMO – SIM OU NÃO?

Foi-se o tempo em que a Corporação pautava-se essencialmente na hierarquia e disciplina, muito embora esse binômio, por vezes, fosse visto como sinônimo de injustiças praticadas contra integrantes das mais baixas graduações pelos de maior patente, como forma de impor-lhes a vontade de uma minoria, sendo justa ou não, porém sempre fundamentada nos alicerces, diziam, necessários à existência da própria Corporação.
Muito embora o militar tenha a vida na caserna regrada por rígidas normas de comportamento, dentro e fora de seu metiê, além de um regime especial de trabalho, há algumas outras características que o diferenciam das demais categorias de trabalhadores ou servidores, como preferirem, mas a obediência cega não é uma delas.
Não é de agora que os governantes estaduais vêm nos relegando ao segundo plano, como se fossemos meras marionetes, confundindo-nos, decerto, com os nossos dirigentes diretos, que se submetem politicamente a toda sorte de (in) gestão, contrária em regra aos interesses da Corporação. Inúmeros seriam os exemplos.
Mas a Corporação vem resistindo, ainda que ferida mortalmente, por puro amor de alguns de seus integrantes que resistem às pecúnias; bravuras ou bravatas; premiações por área; por cursos inúteis; pelas indignas condições de trabalho; pelas bolsas formações e olímpicas; escalas extras desumanas; e tantas outras politicagens que por serem notórias não vale a pena citá-las.
Num crescendo, a subversão de nossos valores chega, não é de hoje, a administração militar antes tão cercada de credibilidade. Bastava publicar uma matéria em sede administrativa para que esta fosse julgada acreditável pela tropa. Era matéria certa. Resolvida. Não é o que se vê hoje. Basta citar o CAS/2009.
A começar pela data da prova prevista para o concurso, alterada pela queda de um helicóptero da Corporação, abatido por traficante de um morro e que vitimou alguns companheiros, como se isso não fosse rotina, ainda que lamentável, dos policiais militares deste Estado. A única diferença foi que ao invés de uma viatura foi uma aeronave. Alterou-se, assim, o início e término do curso. Depois alterou-se a forma do ensino à distância, antes pelo PRONASCI depois pela Corporação, talvez por falta de sintonia entre os órgãos envolvidos. Fim do curso. Veio o silêncio, característica mais utilizada pelo militarismo autoritário e antiquado. Num gesto teatral publicou-se as notas e a classificação. Sem mais comentários. Outro movimento trouxe ao palco a cena do treinamento e a formatura. Foram convidados os convidados. Ledo engano. Nova publicação e a formatura foi adiada para uma semana depois. Antes danavam-se os formandos, hoje danam-se os convidados também. Parabéns pela evolução. Estamos próximos do fim.

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